terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Gibson perto da falência. Triste tempo para as guitarras, o instrumento musical mais emblemático do século XX


No dia 9 de fevereiro último o site Nashville Post publicou a informação de que a antológica fabricante de guitarras, a marca Gibson está perto de chegar à falência, possuinte de uma nababesaca dívida de $375 milhões tendo que ser quitada em seis meses apenas.

Henry Juszkiewicz, CEO da empresa diz que esta vem tentando focar em segmentos mais lucrativos em detrimento “daqueles que trarão pouca vantagem no futuro.”

A Gibson, fundada em 1902, por muitos anos fora a marca preferida de lendas e guitar heros tais como B.B. King, Slash, Jimmy Page, Zakk Wylde.

De um tempo para cá, notícias recentes vêm apontando a queda maciça das vendas de violões e guitarras nos EUA e provavelmente aqui no Brasil e outras partes do mundo, talvez excetuando-se o continente europeu o drama seja equivalente.

Com o surgimento e expansão do jazz no início do século passado seguido do crescimento do blues e finalmente com o advento do rock and roll na metade do referido século, a guitarra se tornou o mais emblemático instrumento musical desse período, sendo o sonho de consumo de muitas crianças que mais tarde se tornariam famosas por ela ou mesmo cresceriam sendo grandes admiradores de seus tocadores.

Mesmo ritmos outros faziam um bom uso do instrumento, bem presente no funk, soul, new age, reggae, MPB e até mesmo no pop.

Porém na virada para o século XXI e sobretudo nesta década, vários segmentos musicais popularescos estão fazendo cada vez menos uso de violões e princpalmente guitarras.

No pop e rap norte-americano de hoje por exemplo, a maioria da sonoridade é adquirida em grandes estúdios cheios de samplers e demais recursos eletrônicos.

Aqui no Brasil o cenário também não é muito animador. Ritmos como o funk carioca praticamente não utilizam mais os instrumentos musicais convencionais, baixo, bateria e guitarra, sendo feitos basicamente em mesas de som pilotadas por DJs.

Ao que tudo indica, com o passar dos anos os estilos musicais que se sustentam pelos instrumentos convencionais em especial a guitarra irão se tornando algo pertencente a nichos de admiradores seletos.

No Brasil poderíamos apontar como causa e possível solução a falta de instrução musical nas escolas e o emprobrecimento do ensino e aculturação em si, sendo solucionáveis por investimentos nesses setores.

Mas nos EUA aeducação musical escolar existe e ainda assim uma empresa como a Gibson se encontra perto da degola.

Isso só deixa entrever a grande sapiência europeia, sobretudo em países do centro, leste e norte, onde provavelmente toda uma bagagem e legado da música clássica somada aos estilos musicais surgidos no século XX, como o rock and roll e seu desdobramento metálico-progressivo ainda despertam e muito o interessente miríades de crianças e adolescentes do continente, não sendo à toa o fato dos países nórdicos serem os campeões no número de bandas de heavy metal de diversos subestilos, todos dependentes do velho instrumento de seis cordas.

Que a guitarra sobreviva eternamente, pois sem ela o mundo ficaria parecendo uma "aula da saudade numa manhã de ressaca.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Epica: entrevista com Simone Simons (de malas quase prontas) prestes a vir ao Brasil


A banda holandesa Epica, uma das maiores do segmento symphonic metal ao lado da finlandesa Nightwish, anunciou uma série de datas da perna sul-americana da "The Ultimate Principle Tour", que divulga o último álbum da banda, "The Holographic Principle", lançado em 2016, contendo também canções do recente EP "The Solace System".

O grupo capitaneado pela mezzo-soprano Simone Simons fará uma apresentação em Montevideo, no Uruguai, outra em Santiago, no Chile, uma em Buenos Aires e outra em Salta, ambas na Argentina, para finalmente vir para o Brasil para oito apresentações, sendo elas:

09/03 - Belo Horizonte (Music Hall)
10/03 - São Paulo (Tropical Butantã)
11/03 - Rio de Janeiro (Circo Voador)
13/03 - Porto Alegre (Opinião)
14/03 - Curitiba (Spazio Van)
16/03 - Manaus (Teatro Manauara)
17/03 - Fortaleza (Armazém)
18/03 - Recife (Clube Português do Recife)

Os ingressos já estão disponíveis pelo site EPICA.NL.

A banda incluiu finalmente a faixa-título de "The Holographic Principle" em seu setlist, o que sugere uma grande chance dela ser executada por aqui.

A frontwoman Simone Simons concedera uma entrevista a Júlia Ourique do  TenhoMaisDiscosQueAmigos, leia abaixo:

TMDQA!: Serão oito shows no Brasil, com apenas dois dias de descanso. Como você consegue? Me parece bastante cansativo!

Simone: Nós tentamos ter certeza de que não vamos voar às seis da manhã, mas um pouco mais tarde que isso. Todos os voos são domésticos, então não serão viagens tão longas. Turnês que estamos viajando de avião, ao invés dos ônibus de turnê, geralmente são mais cansativas. E é por isso que nós não viajamos por cinco semanas quando estamos voando.

TMDQA!: A diferença dessa turnês para as outras são as apresentações em Manaus, Recife e Fortaleza, onde nunca estiveram antes. Como está a expectativa sobre estes shows em capitais que são “afastadas”?

Simone: Todos os shows que fizemos no Brasil foram maravilhosos. A minha expectativa é que estes também serão assim!

TMDQA!: Ótimo! Quais são seus planos de turismo?


Simone: Os planos depende de quando eu tenho tempo e energia. Se eu estou cansada de toda a viagem, geralmente eu descanso por causa dos shows. Eu realmente amo conhecer arredores seguros. A Praia de Copacabana não é o lugar mais seguro para andar sozinha.

TMDQA!: Isso me lembra que você tem um blog em que fala de temas como moda, maquiagem e fotografia. Vi que você costuma fazer sessões de foto e registrar tudo durante as turnês. Essa é uma forma bem legal de mostrar um pouco mais de você para os fãs. Como surgiu essa ideia do blog?

Simone: Comecei meu blog em 2010. Os fãs constantemente me pediam dicas de beleza. Eu vi isso como uma saída criativa onde eu poderia mostrar para todos o que me inspira. Começou como um hobby e agora é bem grande.

TMDQA!: Sobre esse lado feminino, é difícil encontrar mulheres em bandas que exponham esse lado. O metal é um gênero que objetifica as mulheres como se todas fossem malvadas e prontas para matar (risos). Como você se sente a respeito desse machismo no metal?

Simone: Eu sou uma mistura dos dois, não que eu esteja pronta para matar. Eu tenho um monte de testosterona em mim e me identifico bastante com os rapazes. Mas também há outro lado meu. Eu gosto de coisas femininas como maquiagem e roupas. Você pode ser uma garota feminina e ainda gostar de metal. Ou de outra forma, você pode ser uma mulher masculina que ama maquiagem. Não deveriam existir quaisquer regras ou restrições.

TMDQA!: Li em uma entrevista, concedida pelo Coen Jansen, que pretendem lançar uma animação para cada faixa do EP. Como surgiu essa ideia e o que os fãs podem esperar dos próximos vídeos?

Simone: As canções que estão no EP foram inicialmente gravadas para o The Holographic Principle. Estas seis músicas não continuaram na seleção final, feita pela banda e nosso produtor, Joost van den Broek. Coen veio com a ideia de criar vídeos de animação, consistindo em três clipes. O terceiro ainda será lançado, só ainda não sei quando.

TMDQA!: Cada disco do Epica traz uma temática, quase que um estudo acadêmico sobre um assunto. Sendo uma banda que gosta de falar sobre assuntos científicos e filosóficos, podemos esperar um próximo disco voltado para ciências políticas, talvez? Analisando a forte onda conservadora no mundo, inclusive chegando às artes…

Simone: Nós sempre trouxemos temáticas espirituais e filosóficas para as canções. Com certeza tem coisa o suficiente no mundo para inspirar nossa letras.

TMDQA!: O disco The Holographic Principle, pra mim e por boa parte da mídia, já pode ser considerado um disco clássico da banda. Ele une influência do folk, do thrash e até mesmo do funk, com uma batida meio latina, dançante. Enquanto isso, o EP vem com canções de bastante peso. Como vocês pensam em incorporar essas canções do The Solace System no repertório? Teremos alguma surpresa?

Simone: Nós temos tocado “Fight your Demons” e “Wheel of Destiny”. Elas funcionam bem em nosso setlist atual. Nós apresentaremos um repertório bem preparado, que contará com canções de toda a nossa discografia.

TMDQA!: Há muitos artistas pelo mundo que têm sofrido com o streaming, tanto é que eles vêm diminuindo o lançamento de álbuns e trabalhando com singles. Isso não parece acontecer com o Epica, que além de lançar um disco deluxe com 17 faixas, lançou até action figures! Como vocês enxergam esse ponto na indústria da música? Qual é o segredo de vocês?

Simone: As vendas de discos não são tão boas como eram há 20 anos. Eu estou bem contente com os serviços legais de streaming. Fãs de música podem explorar diferentes bandas e talvez conhecer novas bandas, e acabar indo a shows. Bandas precisam vender muito merchandise para conseguir tirar algum dinheiro. O Epica é sortudo de conseguir um contrato com uma gravadora nos primeiros anos da carreira. Hoje não é tão fácil conseguir um bom contrato.

TMDQA!: O nome do blog é “Tenho Mais Discos Que Amigos”. Qual disco você pode dizer que é o seu grande companheiro?

Simone: Eu amo “Meliora”, do Ghost.

TMDQA!: Muito obrigada pela entrevista, Simone. Espero que vocês tenham uma turnê maravilhosa.


Simone: Obrigada você por fazer a entrevista assim. Você terá que “copiar e colar” bastante ;) Obrigada [em Português]!

Assista ao novo clipe do Black Label Society

A Love Unreal” integra o álbum "Grimmest Hits", que chegou em 19 de janeiro último, sendo o décimo da banda capitaneada por Zakk Wylde, que agora conta com os músicos Dario Lorina (guitarra), John DeServio (baixo) e Jeff Fabb (bateria) completando a formação.

Confira no player abaixo:



Tracklist:

01. Trampled Down Below
02. Seasons Of Falter
03. The Betrayal
04. All That Once Shined
05. The Only Words
06. Room Of Nightmares
07. A Love Unreal
08. Disbelief
09. The Day That Heaven Had Gone Away
10. Illusions Of Peace
11. Bury Your Sorrow
12. Nothing Left To Say